Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

MEMORAR

15 May 2017

 

Todas as vezes que falamos sobre memória, a primeira definição que nos vem, são lembranças. E o que são lembranças? Momentos que ficaram registrados na nossa mente.  E o que, exatamente, torna um momento memorável? As emoções envolvidas nele. Emoções são reações inconscientes, porém tão reais e fortes, que têm o poder de registrar momentos especiais.

 

Cada momento tem a importância que nós damos a ele. Momentos constituem fases, que formam épocas, e terminam por compor uma vida inteira. Vida. Sim, uma vida inteira significa “altos e baixos”, alegrias e tristezas, fracassos e vitórias, ganhos e perdas. Mas, quais seriam os momentos que “colecionamos”, ou seja, que recordamos com mais facilidade? Infelizmente, temos o hábito de colecionar momentos ruins, difíceis. Temos o péssimo, porém natural hábito de pautar a nossa vida pelos fracassos e perdas, tristezas e desilusões. E seguimos nos desconstruindo, ao invés de construir. No entanto, o que significaria viver, se só conseguíssemos enxergar o que de sofrimento a vida nos trouxe?

 

Conheço pessoas que acreditam piamente que suas vidas de nada valeram até aqui. Que pensam somente ter obtido fracassos, perdas e desilusões, e sendo pessoas já de idade avançada, isso significaria uma vida inteira total e completamente perdida. Consegue mensurar o que isso significa? Momentos de pura alegria e contentamento perdidos no tempo.

 

Sabe o cheiro da pele do seu filho quando você o beija a face? O som das gargalhadas que ele dá quando você faz cócegas? Aquele abraço sincero de um amigo? O colo da sua mãe? O sabor da comida mais deliciosa que você comeu? Aquela viagem que você tanto esperou, acontecer? Fazer amor com quem você ama? Um sorriso na hora que você mais precisa? Ver um sonho se realizar!

 

Quantos podem ser os momentos que compõem uma vida? Inúmeros! E quais seriam os momentos importantes? Quais seriam os momentos que valem a pena serem memorizados? Todos aqueles que foram tão agradáveis que gostaríamos que durassem para sempre, e todos aqueles que, de alguma forma, nos mudaram por dentro. Pois, até os momentos que consideramos “ruins”, se nos mudam de forma a nos transformarem em pessoas melhores, valem a pena serem lembrados.

 

Agora mesmo tenho passado por momentos de total transformação. De renascimentos. Digo no plural, porque tenho passado por situações que forçosamente me conduzem a me reinventar, me redescobrir, me realinhar. Outro dia parei por um instante, em silêncio, na casa, que já não será mais minha, e pude perceber todos os pequenos barulhos que sempre vieram lá de fora, mas que eu pouquíssimas vezes havia prestado atenção. Cantos dos passarinhos do viveiro da casa ao lado, pessoas conversando, as vozes abafadas pela distância. Uma música tocava ao fundo. O barulhinho da máquina de estampar camisas do meu vizinho, que é ninguém menos que o meu irmão. Um apito suave e contínuo que denuncia que ele está em casa. Neste momento eu soube que estava sendo criada em mim uma memória que eu jamais permitirei que se perca. O som da música se une aos pequenos sons que ouço lá de fora e perpetuam minha estada por aqui.

 

 

Muitas vezes perdemos momentos importantes por pura displicência. Por não estarmos atentos aos detalhes. Quando o que precisamos é somente parar por um instante e perceber, sentir. E deixar que a nossa memória conclua o trabalho.

 

Olhar a vida de uma forma diferente. Com o olhar atento de quem quer perpetuar o que realmente importa e viver. Escrever a sua própria história.

 

Dia desses, minha filha entrou aqui no escritório onde escrevo, na mesma casa. Ela fez um gesto que havia feito várias e várias vezes, na mesma situação. Eu sentada à frente do computador digitando, ela entrou e beijou o meu rosto. Senti o beijo delicado dela tocando a minha pele, de uma forma que não havia percebido antes, e desejei que aquele momento nunca terminasse. Senti o cheiro do cabelo dela ao se virar para sair e virei o olhar. A vi sair pela porta. Pensei naquele exato momento que todas as vezes que eu sentisse este cheiro, me lembraria do suave beijo dela, porque eu quis que esta memória fosse formada, eu a internalizei como se tirasse uma fotografia.

 

O que recomendo é que cuide para que a "escrita da sua história" seja realizada por você, e por mais ninguém. E por "escrita da sua história" entenda, viver com intensidade sua própria vida, tomar suas próprias decisões.  Esteja atento aos mínimos, porém, importantes detalhes dos quais são formados seus momentos e tente, ao máximo, eternizá-los. Para todas as vezes que precisar recorrer a eles, e vai precisar, possa resgatá-los. Porque são os seus melhores e mais importantes momentos que terão o poder de manter você de pé.

 

Deixe seu comentário. Conte-me um momento memorável que você viveu. E nunca se esqueça de registrar na sua memória aqueles momentos que duram um instante, mas você gostaria que durassem uma eternidade. Compartilhe!

 

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