Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

E se a fome não é de comida?

31 Jul 2017

Olá! Que bom estar aqui novamente com você!

 

Você se lembra de alguma vez ter tomado um pote de sorvete ou ter comido um doce por se sentir triste?

 

A alimentação tem significados que vão muito além do nutrir o corpo. Podemos expressar a nossa vontade de comer em função do nosso estado emocional e não das nossas necessidades fisiológicas. Isso é compreensivelmente normal. O estado emocional influencia o desejo de comer: alguns comem menos, outros comem mais.

 

A comida pode ser usada muitas vezes para cessar nossas emoções negativas ou para prolongar as positivas. Entretanto, é importante estarmos atentos a essa associação, alimento e emoção, para não usarmos a comida como única e exclusiva fonte de tapar nossos buracos emocionais.

 

A conexão entre comida e emoções é muito forte e experimentamos essa relação desde muito cedo. Lembra-se do bolo ou da canja que a vovó fazia? Era uma forma de experimentar a comida como um ato de dar e receber amor. A essa relação do comer para atender alguma emoção e não a fome fisiológica recebe o nome de fome emocional.

 

O que é a fome emocional

 

A fome emocional não pode ser suprida com comida e ainda pode fazer você se sentir culpado. Ela é urgente e específica. Normalmente na fome emocional o nosso desejo é por alimentos ricos em açúcar e gordura que ajudam a melhorar o humor, consequentemente comemos exageradamente na tentativa de saciar essa fome que não é de comida. Esse padrão de alimentação pode se tornar automático, sem a consciência da presença de fome ou não.

 

O automatismo de comer emocional se agrava quando resulta no ganho de peso excessivo, estimulando sentimentos negativos de baixa autoestima, aumentando ainda mais a fome emocional, criando um ciclo vicioso. Você está triste, come exageradamente, tem um alivio passageiro, se sente triste e culpado por ter comido demais, volta a comer para se sentir melhor.

 

Se você identificar que a busca pela comida tem acontecido com certa frequência para preencher algum vazio emocional, é um alerta que é preciso cuidar de si e dos próprios sentimentos. É sinal que precisamos nos escutar para saber o que realmente estamos sentindo e do que necessitamos para que as questões emocionais não se confundam com a fome. 

 

A solução não está na comida

 

Um passo importante para desvencilhar a comida das emoções é estar atento aos sinais corporais. As emoções tem uma contrapartida fisiológica que se manifesta através de sinais físicos no nosso corpo, e por esta razão possivelmente pode ser mais fácil percebermos uma emoção através de sua manifestação física.

 

Uma forma muito interessante e comprovada cientificamente para ficarmos atentos às nossas sensações corporais é resgatar a capacidade intencional de trazer à atenção aquilo que nos acontece no momento presente, é a prática da Atenção Plena (Mindfulness), que já falei um pouco sobre ela no texto anterior aqui no blog. Ela nos permite conectar com as nossas sensações corporais sem julgar ou criticar.

 

Se aprendermos a perceber a emoção fisicamente e pararmos intencionalmente para observá-la poderemos sair da reação automática e impulsiva e respondermos com escolha e consciência.

 

Eu, particularmente, tenho tido muitos ganhos com a prática da Atenção Plena. A minha consciência alimentar está cada vez melhor (nutricionista também precisa melhorar), os meus relacionamentos mudaram positivamente, a qualidade do meu sono e controle das minhas emoções estão bastante satisfatórios, o meu sentimento de gratidão às pequenas coisas que antes eu não valorizava está grandioso, até meus problemas hoje eu agradeço. Digo ao meu mestre Marcelo Czermak, com quem conheci e estudei a prática, que a minha vida ficou mais colorida.

 

A prática da Atenção Plena é muito interessante e estou aplicando cada vez mais para cuidar do comportamento alimentar e da relação com a comida daquelas pessoas que procuram meu trabalho. Temos resgatado uma relação mais equilibrada e tranquila com a comida através do Mindful Eating (Comer Consciente), desenvolvido a partir do Mindfulness.

Praticar o comer consciente desenvolve a consciência em relação ao ato de se alimentar, permitindo que façamos uma pausa consciente entre nossos gatilhos, àquilo que nos faz procurar a comida, e o ato de comer. Criamos a consciência das nossas escolhas e decisões alimentares.

 

Para ajudar a lidar com as emoções sem usar a comida

 

Você pode começar a praticar a atenção plena incluindo a prática de diversas maneiras na sua rotina:

 

- Pare intencionalmente por um minuto, sente-se confortavelmente e feche seus olhos. Perceba a sua respiração e as sensações físicas do seu corpo. Fique nesse estado de observação por apenas um minuto. 

 

- Antes de comer pare, respire, observe o que está sentindo e onde está sentindo, e pergunte-se se é realmente comida que você precisa nesse momento.

 

Essa prática ajudará você a perceber os sinais de fome e saciedade, a sentir melhor o sabor dos alimentos, melhorar as escolhas alimentares, identificar e diminuir o hábito de comer emocional.

 

Para comer de forma consciente: use todos os seus sentidos, preste atenção no aroma, na cor, na textura e no sabor do alimento. Dê uma pausa entre uma garfada e outra. Coma devagar saboreando cada explosão de sabor em sua boca e viva totalmente a experiência prazerosa que é comer.

 

Se você se lembrou de algumas vezes que tem usado a comida para lidar com algum sentimento, se praticar a atenção plena e o comer consciente, já terá dado um passo importante para se relacionar melhor com a comida.

 

O autoconhecimento é a palavra-chave

 

Lembre-se que querer comer um doce de vez em quando ou uma comida mais gordurosa é normal, mas é importante distinguir essa vontade da fome emocional. Se você teve um dia estressante, se está triste ou se quer uma recompensa, a solução não está na comida.

 

O que te deixa feliz que não tem relação com a comida? Suponhamos que você identificou um comer emocional nessa última semana. Compartilhe conosco: qual seria a sua recomendação?

 

No nosso próximo encontro vamos alimentar os nossos sentimentos. Até lá!

 

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