Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

Seja Árvore

4 Aug 2017

Olá querido leitor, tudo bem?

Antes de compartilhar com vocês um pouquinho dos meus devaneios, gostaria de retornar a alguns anos enquanto eu ainda estava no colégio. Desde o ensino fundamental e médio, sempre tive um grande apreço pelas disciplinas que me ensinavam coisas da vida. Ciências e Biologia nunca foram, para mim, motivo de “notas vermelhas”, pelo contrário, eram matérias cujo aprendizado era prazeroso e natural .

 

Fora do ambiente escolar sempre buscava de alguma forma ir um pouquinho além. Folhear revistas, assistir a documentários e descobrir coisas do reino animal, me trazia uma intensa satisfação e uma profunda admiração pela perfeição com que a natureza foi criada. Desde então, guardo um amor platônico pelos mais belos ensinamentos que, com toda a sua beleza, a mãe natureza nos presenteia.

 

Só que, ultimamente, tenho refletido sobre os acontecimentos que fazem um ser vivo específico passar de algo sutil, e muitas vezes despercebido, para algo exuberante e majestoso. E você? Já parou para pensar no ciclo de vida de uma simples árvore? Pensar sobre isso parece algo insignificante, mas quando consegui conectar diversos pontos em comum entre nós e as árvores fiquei maravilhado! Vem comigo?

 

De semente a majestade

 

Tudo se inicia com um grão muito pequenininho se comparado àquilo que um dia a semente irá se tornar. E a magia acontece justamente aí: no intervalo entre o início e o fim. E é assim que a vida também se desenrola, não é mesmo? Nos primeiros anos somos apenas um pequeno grão, delicado no tamanho, escasso nas vivências, inocente, timidozinhho, mas que com o passar do tempo vai sendo cuidado, nutrido pelo ambiente e resistindo às intempéries da vida. Todo o esforço é necessário para que hajam vagarosas e constantes transformações até se tornar majestade dentre a paisagem.  

 

"As flores de um amanhã, estão nas sementes de hoje".

JosueVazz

 

A unicidade das estações

 

Neste contínuo e vagaroso processo de crescimento é necessário passar pelos momentos únicos que cada estação consigo traz: os ciclos que começam e terminam sucessivamente, o florescer e o despir-se, o árido e o gélido, a abundância e a fartura, a brisa e os ventos... Aprender a lidar com estes altos e baixos, resistir às situações sem sucumbir, se adaptar às mudanças intermitentes e aproveitar o que cada estação tem para oferecer de melhor, pode tornar este processo de desenvolvimento muito mais leve e fluído.

 

“E como no outono as folhas caem para se renovarem com as estações seguintes. Aqui estou eu, sem medos, só permitindo minhas folhas se libertarem para as próximas estações que vivenciarei.”

Maya Bragança

 

Tudo está conectado

 

Uma árvore não existe por si só. Existem outras vidas que se conectam e que, de certa forma, dependem dela para poder continuar vivendo. Imagine quantos insetos já caminharam sobre uma árvore, quantos animais já se alimentaram de seus frutos, quantos outros dependem do oxigênio produzido, quantos ninhos já se abrigaram em seus galhos ou quantas declarações de amor uma árvore também já não presenciou. Há também a dependência da árvore em relação ao solo que a permite firmar suas raízes e lhe fornecer nutrientes, da água das chuvas para regar e também lhe nutrir, dentre outras.

 

“Quando se observa o universo com mais atenção, percebe-se que tudo está conectado e a partir daí não será mais possível ser inconsequente nas suas atitudes.”

Gustavo DAvila

 

A vida não é um mar de rosas

 

Há momentos em que os galhos precisam ser podados. Quando os galhos crescem demais e acabam prejudicando outras vidas, talvez seja a hora de parar e dar um jeito nisso. Desprender das folhas secas, que já não tem utilidade, para dar lugar a novas flores e novos frutos também é preciso. A poda é um processo doloroso, sofrido, mas extremamente necessário. Somente neste processo constante de aperfeiçoamento que o velho se faz novo e a vida se renova.

 

“Agora não quero saber de mais nada, só quero aperfeiçoar o que não sei.”

Manoel de Barros

 

Fototropismo

 

Você já se questionou o que leva as árvores a crescerem em direção oposta às suas raízes? O que existe de tão mágico nisso? Buscando respostas para estas perguntas, descobri um fenômeno chamado de fototropismo. As plantas se desenvolvem tanto para baixo (raízes) quanto para cima (caule). O crescer para cima é chamado de fototropismo positivo, pois o desenvolvimento se dá em direção a uma fonte luminosa. Quando há foco, a energia canalizada em busca deste alvo surge espontaneamente sem muitas vezes nos darmos conta de que ela existia.

 

“Quem sabe concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo, obtém, ao fim e ao cabo, a capacidade de fazer qualquer coisa.”

Mahatma Gandhi

 

Deixar o legado

 

E, por fim, uma árvore se perpetua deixando uma pequena parte de si para que um novo ciclo se inicie. A história nunca termina.

 

“Todo caminho que você toma, você está deixando seu legado.”

Michael Jackson

 

Com esta breve analogia, deixo outras inquietações que surgiram no meio do caminho:

Temos sido capazes de circular lá dentro de nós aquilo que verdadeiramente foi feito para nos nutrir? Qual tem sido a nossa fonte de luz que nos inspira a crescer cada dia um pouco mais? Que sabor têm os nossos frutos? O que temos feito para servir àqueles que vêm até nós?

 

Moral da história: seja árvore.

 

 

Compartilhar no Facebook
Share on Twitter
Please reload

Destaques

O PESO

November 18, 2019

1/10
Please reload

Arquivos
Please reload

Siga-me
  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon