Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

Quando resolvi “chutar o balde”

3 Nov 2017

Resolvi escrever este texto para compartilhar com vocês, leitores, um pouco do que tenho vivido de uns meses para cá. No auge do meu 4º setênio (vale a pena dar uma pesquisada sobre este tema tão interessante) resolvi abrir mão de algumas coisas em detrimento de outras. Na real: resolvi “chutar o balde” e deixar para trás tudo aquilo que já não faz mais sentido.

 

“Às vezes precisamos abandonar a vida que havíamos planejado,

porque já não somos mais a pessoa que fez aqueles planos.”

 

Realizar uma transformação sobre a minha própria vida exigiu esforço, planejamento, aceitação e coragem. Esforço para dar o primeiro passo e provocar propositalmente micro revoluções que me tirassem da famosa “zona de conforto”; Planejamento para estar preparado quando finalmente a grande hora chegasse com uma reserva que me permita seguir adiante sem tantas preocupações; Aceitação para estar em paz com tudo o que aconteceu até este ponto, por tudo o que tem acontecido e por tudo o que ainda irá acontecer – afinal, o passado já passou, o presente acontece agora e o futuro ainda não existe; Coragem para enfrentar o medo, encarar o frio na barriga e dominar de vez aqueles pensamentos de autosabotamento.

 

Remar contra a maré é assim mesmo. É se dispor a pagar o ônus por optar em não seguir o padrão ao qual grande parte das pessoas são programadas para seguir. Romper algumas etapas da lógica do nascer, crescer, formar, casar, reproduzir, envelhecer e morrer pode causar desconforto, rejeição, exclusão, preconceitos, mas quanto mais claro é o seu propósito no mundo mais leve se torna esta travessia. Somos impelidos por uma força indescritível a fazer aquilo que realmente importa pelo simples fato de ser a coisa certa a se fazer (tanto por nós quanto para os outros).

 

Para mim, o meu propósito de vida floresceu precocemente. Tudo começou a acontecer a partir do momento em que, inconscientemente, iniciei um processo de me conhecer e entender o momento pelo qual estava passando. Digo que foi precoce e inconsciente, pois - com mais ou menos 19 anos - não tive outra saída a não ser buscar respostas dentro e fora de mim para entender o que eu estava vivendo. Foram momentos introspectivos em que mergulhei profundamente dentro de mim, externalizei os meus sentimentos, vontades e emoções por meio da escrita, busquei o auxílio nas obras de grandes “gurus” e também procurei refúgio em filmes e séries que de alguma forma retratavam aquele meu momento. Foi curativo.  

 

“É o inesperado que muda as nossas vidas.”

 

Quanto mais perguntas emergiam, mais respostas e possibilidades também surgiam na mesma proporção. É como se peças soltas de um quebra-cabeça desconhecido começassem a se combinar entre si e passassem a fazer sentido. Cada uma destas combinações formava vários outros conjuntos de peças para que, ao final, se tornem parte de um todo compreensível.

 

Desde então, quanto mais curiosidade, aprendizados, interações e experiências eu me permiti, mais claro foi ficando aquele senso de que “eu nasci para isto”. Manter esta chama acesa não é fácil, mas também não é tão difícil: ora é o vento que sopra, ora é o combustível que quase acaba, ora é parar para ajudar a manter acesa a chama dos outros, enfim... Houve uma fase em que minha chama permaneceu meio que esquecida, mas nunca apagada. Ao longo deste período, quase que como em um processo de seleção natural, só foi sobrevivendo aquilo que realmente possuía conexão e estava alinhado com o meu propósito de vida. 

 

“Carregue somente levezas.”

 

Hoje, aos 29 anos, abri mão da falsa estabilidade que o mundo corporativo nos proporciona para desbravar outros caminhos. Valorizo muito mais uma vida bem vivida com seus erros e acertos, fazendo o que se ama, com mais liberdade e autonomia, ao invés de permanecer aprisionado a regras e padrões pré-estabelecidos das quatro paredes, construindo um sonho que não é o meu, me comportando da forma como manda o figurino e me desconectando lenta e gradativamente da minha própria essência.

 

Agora chegou a minha hora de não adiar mais. Decidi ouvir de vez aquela voz que vem lá de dentro e me sinto extremamente feliz com minha escolha. Sinto-me totalmente realizado por poder mudar a trajetória mais uma vez. Se for para cumprir a minha missão nesta existência, recomeçarei quantas vezes forem necessárias. Para uns – talvez – possa parecer uma grande “burrada”, mas para mim não há benefício, 13º, FGTS, salário na conta, avaliação de desempenho, promoção, visibilidade, indicador e tantas outras ferramentas e apetrechos que paguem a realização por sentir que estou servindo aos outros e deixando uma marca positiva no mundo.

 

“De nada adianta passar quase que uma vida inteira tentando ganhá-la,

para que ao final se olhe para trás e perceba que agora precisa recuperá-la.”

 

Em contrapartida a esta revolução pessoal e profissional que resultou em um “até mais” ao corporativo sem previsão de retorno, sou grato a tudo o que vivenciei no decorrer de 12 anos nas empresas pelas quais passei. Se não fosse toda a história que se desenrolou e que foi construída até aqui, talvez nada disso estaria acontecendo.

 

Se você também se sentiu ou se sente da mesma forma, aqui vão alguns conselhos: acredite em VOCÊ! Lá fora existem bilhões de pessoas que só estão esperando e dependendo do seu primeiro passo. Ele será essencial para fazer a diferença na vida delas. Seus dons, seus talentos e suas habilidades não foram concedidos para serem desperdiçados. Faça um bom uso deles! A vida acontece aqui e agora. Se a oportunidade passar, poderá não haver uma segunda chance.

 

Esta é apenas uma de algumas outras revoluções que estou fazendo na minha vida no momento. Quem sabe em breve não compartilho as demais por aqui também?

 

Um grande abraço! 

 

 

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