Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

GATILHO DA ANUNCIAÇÃO

6 Nov 2017

 

Não é por se tratar de arte que não existam padrões. Você pode gastar anos da sua vida desenvolvendo um produto artístico que sensibilizará uma multidão, mas também pode estudar elementos de várias obras-de-arte e encontrar padrões que se repetem em todas elas, aplicá-los e criar sua própria arte. Foi exatamente isso que eu fiz antes de escrever os livros da coleção Objetos de Poder. E desse estudo – inicialmente sobre 15 livros Best-seller de fantasia infanto-juvenil – eu criei o que chamo de “Teoria Geral da Escrita”. Nela eu defendo a importância de inserirmos no texto gatilhos mentais.

 

Vou falar rapidamente sobre um deles aqui: o Gatilho da Anunciação. Geralmente, no meu curso de escrita, eu apresento o vídeo clip da música “Rolling in the deep” da Adele. E faço os alunos perceberem que na metade (1:30 minutos) do clip, surge, por segundos, a imagem de uma maquete. Essa mesma cena retorna no final (3:00 minutos) da música e, só então, começa a pegar fogo. Parece um detalhe sem importância, mas não é.

 

 

Leio muitos livros de autores iniciantes (e alguns nem tanto) onde este tipo de gatilho não é aplicado. E isso faz o texto soar falso. O grande segredo aqui é o seguinte: revelar algo importante na sua história, sem antes preparar seu leitor para aquilo é um erro terrível, pois arranca a credibilidade do fato apresentado. Já li livro que conta um romance romântico nas cem primeiras páginas. De repente, a protagonista abre um portal mágico e a história vira fantasia, DE REPENTE. Sem qualquer sinal de que estamos lendo um livro deste gênero (inclusive a capa do livro não faz ligação alguma com literatura fantástica também). O leitor não pode e não gosta de ser tratado como burro, como uma pessoa tapada. Pelo contrário, quem lê são pessoas curiosas, perspicazes e inteligentes. E deixar de anunciar algo importante em sua história, não dar sinais de que um fato pode ocorrer no universo do seu texto, é fragilizá-lo e entregar ao leitor algo incapaz de se passar por crível.

 

Não estou dizendo aqui que você tenha que quebrar a surpresa, entregar a reviravolta ou o final da história. Não! O gatilho da anunciação não revela, mas embasa e torna coerente o fato que terá como intuito emocionar seu leitor (a maquete pegando fogo, o que sintetiza bem a mensagem da música: era só uma maquete nosso amor, artificial, não resistente às chamas). Espero que tenham gostado desta dica. Voltamos a nos ver no próximo mês.

 

 

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