Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

A neta de Anita

14 Nov 2017

            Estimados leitores, diante de temas tão discutidos na atualidade, venho abordar o assunto proposto pelo maior exame de nosso país, o ENEM. A abordagem que faço vem através do livro “A neta de Anita” de Anderson de Oliveira e Alexandre Rampazo; que delicadamente expõem duas questões de inclusão social discutidas por toda a sociedade: a questão da cor da pele e a cegueira.

 

Tainá é a neta de Anita, uma menina que mora com a avó e seu cãozinho inseparável, Estrela, numa pacata cidadezinha do interior. A menina vive sob os cuidados da avó, que a deixa ajudar nos afazeres da casa. Tainá todos os dias vai até a fonte para encher o jarro de água. A avó cuida dela com os olhos em todo o trajeto de ida e volta, juntamente com Estrela que a acompanha sempre.

 

Vó Anita cuida de Tainá com muito carinho e zelo, preocupa-se em cuidar da cabeleira da menina tecendo suas tranças com fita; onde a menina é chamada de “princesa dos cabelos com fitas de cetim”. Vó Anita conhecia tão bem sua neta, que por suas atitudes sabia se algo havia acontecido ou não com ela.

 

Um belo dia, Tainá voltou estranha da fonte, a avó logo quis saber por que a menina estava tão inquieta. Então, Tainá contou a avó o que escutou na vizinhança quando voltava para casa; ela escutou “que era negra como a escuridão de seus olhos” e isso a incomodou pela forma que disseram, pelo jeito como falaram.

 

Vó Anita, parou seus afazeres e na sua imensa sabedoria, contou uma linda história para a sua neta sobre a intensidade do sol e da brisa que refrescava todas as noites quando a lua surgia. O sol, num momento de desgosto, e num ato de egoísmo, ardeu intensamente sobre os homens que eram os protegidos da lua. Mas, um certo grupo de homens, muito corajosos, resolveram enfrentar a ira/fúria do sol, se expuseram a ele bravamente e com o tempo a pele desses homens tornou-se escura e os cabelos crespos, para a proteção de todo o corpo. Vó Anita encerrou sua história dizendo que a cor de sua pele contava uma história de sacrifícios e resistência, e que os cabelos crespos traziam a experiência da força.

 

Com a história que escutou de sua avó, Tainá ficou mais otimista e confiante. A respeito de sua condição visual, ela teve a oportunidade de conhecer uma escritora que foi até a sua cidade para um trabalho com as crianças da escola. A escritora que também era deficiente visual, ficou sabendo da condição de Tainá e foi até ela para lhe conhecer e lhe mostrar que era possível aprender a ler e a escrever, mesmo na sua condição. Tainá ficou conhecendo o braille, uma linguagem desenvolvida por um dos nossos sentidos, o tato. A partir de então, Tainá se sentiu parte de um todo, não se sentiu tão excluída do convívio de outras pessoas, começou a se sentir parte.

 

Queridos leitores, de acordo com a nossa vivência diária, vemos muitos comentários e brincadeiras acontecerem, muitas vezes sem maldade, mas, mesmo assim, devemos aprender que não podemos fazer com o outro aquilo que não queremos para nós, e que o RESPEITO é o princípio universal da convivência humana. Sem o respeito, a vida em sociedade estará destinada ao fracasso, onde o mais forte prevalecerá. Mesmo diante de desigualdades financeiras tão absurdas, somos todos iguais, feitos da mesma matéria.

Reflitam a respeito e naquilo que queremos para nós como pessoas.

 

 

Compartilhar no Facebook
Share on Twitter
Please reload

Destaques

VIAGEM A OUTRO MUNDO

November 11, 2019

1/10
Please reload

Arquivos
Please reload

Siga-me
  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon