Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

Quanto pesa o seu coração?

2 Feb 2018

Olá querido/a leitor, tudo bem?

 

O Livro dos Mortos do Antigo Egito relata uma cena chamada Psicostasia, na qual é realizada uma cerimônia de pesagem do coração de quem morre no tribunal da deusa da justiça e da verdade: Maat. Esta cerimônia acontece mais ou menos da seguinte forma:

 

Após ter que enfrentar diversas provações e ser bem sucedido, finalmente o morto adentrava a sala das Duas Verdades, ou Duas Justiças. Nesta sala há uma grande balança regulada por Anúbis (deus dos mortos, do submundo e da mumificação) e em seu topo se encontrava o babuíno do deus Thot (o deus do conhecimento, da sabedoria, da escrita, da música e da magia). Nesta sala também estavam presentes o deus Osíris (deus associado às vegetação e à vida no além), 42 juízes (representando as quarenta e duas províncias do Antigo Egito) e o deus Thot que cumpria sua função escrevendo o resultado da pesagem.

 

De um dos lados da balança é colocada uma pena de avestruz que pertence à deusa Maat, representando a leveza da justiça e da verdade e do outro lado do instrumento é colocado o coração do morto a fim de comprovar se sua conduta durante a vida realmente foi justa e harmônica.

 

Após a regulagem do instrumento, o morto deveria realizar a chamada confissão negativa (1), proclamando uma espécie de 42 mandamentos que atestam o seu respeito ao que era considerado sagrado para os deuses. Se a balança pendesse para o lado da pena, a alma poderia desfrutar da vida eterna nos Campos de Junco (considerado o paraíso para os antigos egípcios). No entanto se a balança pendesse para o coração - Ammit (Devoradora de Almas), uma fera híbrida de crocodilo, leão e hipopótamo - prontamente devorava a alma do morto, e este deixaria definitivamente de existir.

 

Esta passagem provoca uma reflexão acerca das nossas ações enquanto seres humanos na Terra. No momento do julgamento, não há a oportunidade de “terceirizar” para outros a responsabilidade do que se fez durante a existência. Não é possível justificar de quem foi a culpa por termos feito o que já havia sido feito em vida.

 

Se o seu coração passasse hoje pela pesagem, para qual lado a balança penderia?

 

(1) A Confissão Negativa

Salve, grande Deus, Senhor da Verdade e da Justiça, Amo poderoso. Eis-me aqui, chegado diante de ti.

Deixa-me pois contemplar a tua radiante formosura. Conheço teu Nome Mágico e das 42 divindades que te rodeiam na vasta sala da Verdade-Justiça. O dia em que se presta conta dos pecados diante de Osíris; o sangue dos pecadores lhes serve de alimento.

Teu nome é O Senhor da Ordem do Universo, cujos dois olhos são as duas Deusas irmãs.

Eis que aqui trago em meu coração a Verdade e a Justiça pois arranquei dele todo o mal.

Não causei sofrimento aos homens, não fiz uso da violência contra os meus parentes.

Não substituí a Justiça por Injustiça. Não freqüentei aos maus nem cometi crimes.

Não fiz com que trabalhassem em excesso para meu proveito. Não fiz intrigas por ambição. Não maltratei meus servidores nem blasfemei contra os Deuses.

Não privei o indigente de sua subsistência.

Não cometi atos execrados pelos Deuses. Não permiti que um servidor fosse maltratado por seu amo.

Não fiz sofrer a outrem. Não provoquei a fome. Não fiz os homens, meus semelhantes, chorar.

Não matei nem mandei matar. Não provoquei enfermidades entre os homens.

Não subtraí as oferendas dos templos nem roubei os pães dos Deuses.

Não me apoderei das oferendas destinadas aos espíritos santificados. Não cometi ações vergonhosas no recinto sacrossanto dos templos.

Não diminuí a porção das oferendas. Não tratei de aumentar meus domínios empregando meios ilícitos nem usurpei os campos de outrem.

Não manipulei os pesos da balança nem o seu hastil. Não tirei o leite da boca do menino. Não me apoderei do gado nos prados.

Não colhi com laço as aves destinadas aos Deuses. Não pesquei peixes com cadáveres de peixes.

Não obstruí as águas quando deviam correr.

Não rejeitei as barragens postas no fluxo das águas correntes. Não apaguei a chama de um fogo que devia arder.

Não violei as regras das oferendas de carne. Não me apoderei do gado pertencente aos templos dos Deuses.

Não impedi a Deus algum de se manifestar. Sou puro! Sou puro! Sou puro!

Fui purificado como o fui a grande Fênix de Heliópolis.

Pois sou o Senhor da respiração que dá vida a todos os Iniciados no dia solene em que o Olho de Hórus, na presença do Senhor Divino desta terra, culmina em Heliópolis.

Posto que vi culminar em Heliópolis o Olho de Hórus, possa não me suceder nenhum mal nesta região, ó Deuses, nem em vossa sala da Verdade-Justiça! Pois eu conheço o nome desses Deuses que rodeiam a Maat, a grande divindade da Verdade-Justiça.

 

 

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