Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

ANANSE E O POTE DA SABEDORIA

14 Feb 2018

BADOE, Adwoa; DIAKITÉ, Baba Wagué; PEN, Marcelo. Histórias de Ananse. São Paulo: Edições SM, 2006. 95 p. (Cantos do mundo)

 

Estimados leitores, nosso texto de hoje vai abordar uma das histórias de Ananse; escrita por Adwoa Badoe e Baba Wagué Diakité e Marcelo Pen. Ananse é uma aranha muito astuta e sábia que vivia apregoando em alto e bom tom, para todos, o quão sábio era.

 

Certa vez, num belo dia de sol, Deus o nosso criador chamou-o para subir ao firmamento para uma conversa, que foi aceita imediatamente por Ananse, que logo já foi afirmando que era o animal mais sábio que Deus já tinha criado.

 

Deus, intrigado com tanto convencimento, lançou um desafio para Ananse  ordenando que o mesmo deveria recolher toda a sabedoria que encontrasse na terra, e quando a entregasse, seria nomeado “Sábio de Todos os Tempos”.

 

Ananse logo pensou que seria muito fácil, pois era muito esperto e astuto e já havia vasculhado a terra de cima a baixo e coletado todo pedacinho de sabedoria, guardando-a num imenso pote.

 

O caminho para levar o pote aos céus era bem árduo, pois o pote era imenso e muito pesado. Muitos quiseram ajudar com o peso na difícil subida até ao firmamento.  Ananse muito “metido” e orgulhoso, não aceitou a ajuda de seus amigos e colegas, e ainda dizia que era um trabalho ultrassecreto para um profissional de altíssimo escalão.

 

Para chegar ao firmamento era preciso subir por um coqueiro muito alto que se erguia para além das nuvens. Então, Ananse fez uma parada para pensar no melhor modo de carregar seu peso. Apesar de muito braços, ele não poderia ocupá-los com o pote, pois precisava dos 8 braços para se agarrar na subida. Por fim, decidiu amarrar o pote bem firme em seu dorso e, devagar, iniciou a jornada árvore acima.

 

Ananse subia, centímetro por centímetro. Mal podia esperar para desfrutar a fama que seu feito grandioso merecia. Ananse manteve o ritmo, cada vez mais alto, até que a luz da lua o fez lembrar de que precisava descansar.

 

Ananse, muito cansado, estava próximo do final de sua jornada. Era um grande dia para a aranha que se dizia tão sábia, e, ao sentir o orgulho de encher o peito, ergueu todos os braços num gesto de vitória. Este foi o momento de seu fracasso, ele desabou do céu e caiu no chão, o pote espatifou-se em milhares de pedaços. A sabedoria se espalhou para todos os lados, até os confins da terra.

 

Ananse ficou amontoado ali, chorando para valer. Aquilo que lhe dera tanto trabalho para juntar, agora estava fora do seu alcance. Agora, todo mundo tinha um pouquinho de sabedoria.  E ele não podia mais alegar que toda a sabedoria lhe pertencia.

 

Então o Deus dos céus sussurrou em seu ouvido bem devagar:

– Eu lhe dei oito braços, Ananse. Se realmente tivesse a sabedoria do mundo, não teria acenado com todos eles...

 

A vida, queridos leitores, nos possibilita diversos tipos de dons, portanto, recomendo que sejam simples e humildes na hora de se promoverem. Que apenas transmitam confiança e segurança para o seu próximo sem que estes se sintam diminuídos por vocês. 

 

 

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