Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

Quem é você?

2 Mar 2018

Olá queridos leitores, tudo bem?

 

Hoje trago um assunto um tanto quanto polêmico que, vira e mexe, tem rodeado minha mente e acho que será interessante compartilhá-lo. Começarei pelo clichê de que o mundo mudou, continua mudando e permanecerá neste processo por toda a eternidade, até que um dia deixe de existir. É curioso pensar que, parte destas mudanças que ocorrem em nosso planeta se originam a partir da interferência humana neste processo. Se algo mudou, pressupõe-se que alguém mudou primeiramente. Somente após esta mudança em si (seja na forma de pensar, de agir, de falar, de se vestir ou qualquer outra coisa) é possível que algo em seu entorno também mude. Pode ser que seja uma mudança rápida, que aconteça quase que instantaneamente. No entanto, pode ser uma mudança que exija um pouco mais de tempo para maturar e se manifestar. Já outras, ocorrem somente após um longo período de tempo, transcendendo gerações talvez.

 

Esta reflexão acerca de mudanças foi apenas para elucidar parte do que tenho a dizer hoje. Outra parte ficará a cargo de um breve trecho do livro da minha vida:

 

Lembro-me perfeitamente de estar em uma sala na universidade assistindo à uma aula de matemática financeira do 3º período do curso de Administração, que eu havia ingressado em 2008. Assim como a queda da maçã despertou Isaac Newton para formular a lei da gravitação universal, mal sabia eu que esta aula seria a centelha divina que causaria um incêndio incontrolável dentro de mim, deixando em ruínas as minhas crenças em relação ao que significa ensino e aprendizagem.

 

Naquela aula, me deparei com a retomada de determinado conteúdo que já havia sido “ensinado” no Ensino Médio. Para o meu assombro, neste instante os pensamentos em minha mente começaram a entrar em ebulição: “Como assim? Se eu já havia visto aquele conteúdo em algum momento da vida, pressupõe-se que este seria importante. Se o conteúdo é importante, eu deveria ter aprendido. Se não aprendi, por que não o fiz?”. Foram estas perguntas que me deram o pontapé inicial para compreender os processos educacionais, me impelindo a desbravar a realidade que faz parte do outro lado da moeda.

Comecei então a pesquisar sobre educação, escolas, MEC, grade curricular, etc., e me deparei com diversos questionamentos que se resumem neste pensamento: se eu cheguei ao Ensino Superior sem absorver grande parte do que eu havia aprendido na escola, talvez a origem do problema esteja na base, e a universidade continua apenas repetindo um modelo obsoleto, ineficaz e ultrapassado.

 

Novamente comecei uma busca incessante por iniciativas educacionais do Brasil e do mundo que tratassem educação de uma forma diferenciada e inovadora. Deparei-me com diversas escolas modelo que prezavam muito mais pela individualidade do aluno enquanto ser humano, por temas que se demonstravam mais relevantes a serem aprendidos, por métodos de ensino mais eficazes e por uma construção coletiva de conhecimento. O curioso é que grande parte destas instituições, se distanciam do vocábulo professor e aluno, mas reconhecem a existência de mestres e aprendizes que caminham lado a lado nesta jornada.

 

Desde então, arrastei à duras penas a faculdade, pois me via totalmente preso dentro de uma grade curricular da qual não havia escapatória. O desejo de criar algo que transformasse o sistema educacional brasileiro sem repetir o mesmo padrão das escolas era latente. Acredito que, assim como eu, existiam milhares de Pedros, Marcelas, Fernandos, Jaquelines, engaioladas/os em uma instituição de ensino que moldava à sua forma meros repetidores de datas, teorias e fórmulas que surgiram em um passado muito, muito distante.

 

Talvez a jornada teria sido um pouco mais leve se eu pudesse personalizar minha trilha de conhecimentos. Aliás, este é outro ponto que me intrigava: por que alguns temas incríveis só são privilégio de uma pós-graduação? E se esta “hierarquia pedagógica” seguisse a lógica inversa?

 

Bom, por conta das circunstâncias e uma dose de escolha própria, decidi deixar a formação formal em stand-by. Quando digo isto para algumas pessoas a sensação que tenho é de que estou cometendo uma heresia absurda. Um pecado terrível contra a humanidade. No mundo de hoje é preciso formar para ter um diploma, pois do jeito que as coisas estão, é cada vez mais difícil adentrar o mercado de trabalho. Um diploma passa credibilidade. Será mesmo?

 

Talvez um diploma não signifique quase nada a não ser um pedaço de papel que atesta a sua passagem (muitas vezes sofrida e árdua) pelo Ensino Superior. Talvez ateste o conhecimento de alguém que aprendeu uma série de coisas até certo ponto. Ainda bem que me vejo rodeado de pessoas que também tem questionado a validade de um diploma e questionado muito mais a relevância de instituições que continuam fazendo educação à moda antiga.

 

Em grande parte das turmas pelas quais passei (e olha que foram muitas, pois sempre gostei de fazer matérias de períodos aleatórios e poder aprender com turmas totalmente diferentes) a história era quase sempre a mesma: alunos que se preocupavam se o professor faria chamada ou não, alunos que se contentavam apenas em ficar na média para poder passar de semestre, alunos que só priorizavam o estudo em tempos de prova ou apresentação de trabalho valendo ponto, etc. Ao concluírem o curso continuavam a ser repetidores de teorias e fórmulas sem pensar no futuro do mundo e de suas próprias profissões. É claro que não estou generalizando, pois existem aqueles que fugiram desta lógica massacrante e dolorosa da produção industrial de máquinas-humanas.

 

Se, desde quando eu ainda estava na universidade, eu sempre gostava de ir além do que era ensinado entre as quatro paredes, paradoxalmente desde que “parei de estudar” eu nunca mais parei de estudar. A diferença é que estudo o que preciso ou o que quero, no tempo que quero, da forma que quero e com quem eu quero. O aprendizado se torna algo mais personalizado e natural sem descartar conteúdos que também se distanciam do que supostamente eu deveria aprender. O repertório (do mais variado possível) é a chave para ser mais criativo e curioso. A diferença de todo este método autodidata não formal, é que ao final não terei um papel para me identificar quando me perguntarem quem eu sou.

 

Quando solicitadas a responder a indagação “quem é você?”, 90% das pessoas costumam respondê-la despejando uma síntese de seu currículo somada à sua profissão. Assim como a educação, a forma de se apresentar também precise mudar. O que você fez ao longo da vida não retrata quem você é de fato. Expor o ser humano que há por trás da casca, gera uma conexão maravilhosa com quem lhe ouve.

 

Em eventos, reuniões ou outras formalidades que exigem uma apresentação pessoal, eu particularmente tenho e terei dificuldades em responder do modo padrão. No entanto tenho começado a pensar em meu rascunho de uma resposta simples e muito sincera: sou um ser humano. Mais um morador deste planeta chamado Terra. Sou cru: sem títulos, sem rótulos, mas muito feliz. Eu sou simplesmente eu.

E aí, quem é você?

 

“Quem é você? Não me responda o seu nome, não me responda a sua profissão, não me responda seus desejos e planos. Estou perguntando QUEM É VOCÊ?”

 

 

Compartilhar no Facebook
Share on Twitter
Please reload

Destaques

VIAGEM A OUTRO MUNDO

November 11, 2019

1/10
Please reload

Arquivos
Please reload

Siga-me
  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon