Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

Quando eu estou aqui, eu vivo!

9 Mar 2018

 

Olá!  Que maravilha, nosso encontro chegou!

Como você está?

Eu estou bem. Aqui, sentada confortavelmente apoiando meus pés no descanso, sentindo a brisa do ventilador tocando e refrescando minha pele, enquanto os sons das maritacas que sobrevoam lá fora adentram meus ouvidos e sinto uma bela melodia. A minha frente sobre minha mesa, percebo cores que sobressaem dos meus livros a esquerda e da minha agenda a direita, entre meus livros e agenda, vejo na tela do meu computador, letras surgindo numa folha em branco a cada toque dos meus dedos num teclado quente que pede descanso por hoje. Na minha mente apenas a intenção de escrever algo que colabore e faça sentido para você que me acompanha por aqui.

 

Neste exato momento, cultivo um imenso estado de presença. O estado de presença é nosso, nascemos com ele, mas vamos perdendo, dando espaço a tagarelice da nossa mente e aos estímulos externos. Estar presente em si mesmo requer treino para resgatar essa nossa habilidade, requer também auto amor, compaixão, neutralidade, curiosidade, intenção. E isto não é fácil, pois estar em si mesmo, é ir de encontro com você, encontrar suas forças e suas vulnerabilidades e assumir quem de fato nós somos. Mas essas descobertas no fim de tudo, só nos fortalecem, pois aprendemos a usar o que temos dentro de nós e mudar o que for necessário para viver toda nossa essência.

 

Eh, eu tenho aprendido a estar presente em mim mesma! Comecei essa caminhada a partir do meu encontro com as práticas de Atenção Plena que fazem parte hoje do meu dia a dia. Claro que não se consegue estar todo o dia 100% presente. Isso é óbvio, o nosso mundo não nos permite. Mas a atenção plena é tão interessante que nos faz perceber justamente esses momentos em que não estamos em nós. E, a partir dessas experiências, o estado de presença só aumenta a nossa confiança de que é possível viver mais tranquilo num mundo tão frenético.

 

Agora é sua vez!

 

Você se lembra a primeira coisa que você fez hoje ao abrir os olhos? Você lembra de todas as etapas pelas quais você passa ao escovar os dentes? E ao tomar banho, o que você faz primeiro? E ao entrar no carro? E ao comer? Como é que você decide o que você vai comer?

 

Ufa! Quanta coisa para lembrar né? Conseguiu identificar algum padrão de comportamento nessas atividades?

 

Está tudo bem se você não conseguiu. Mas, você está no piloto automático.

 

É muito difícil mesmo, lembrar os detalhes de comportamentos que se tornam automáticos. Somos treinados ao longo da vida a ligar o nosso modo “fazer”. O modo “fazer” automatiza a nossa vida, através da prática e repetição. O lado ruim disso, é que ligando o modo automático, acabamos trabalhando, comendo, dirigindo, falando, pensando, caminhando, sem uma consciência clara do que estamos realmente fazendo. E isso trata-se de deixar a vida ser levada pelo tempo, sem de fato vivê-la.

 

O modo consciente, o “ser”, age como um alerta suave. Em uma situação estressante por exemplo, a atenção plena te permite enxergar a circunstância com mais clareza, te mostra que existem opções e abre espaço para tomada de atitudes mais sábias, mais alinhadas aos seus valores e a sua essência.

 

E a comida?

 

É assim também. A alimentação é uma área da sua vida que merece receber atenção. E você também merece alinhar a comida com os seus valores, assim como todas as outras áreas da vida. Mas atenção, a alimentação é apenas uma área, e deve ocupar apenas a parte que lhe cabe.

 

Pegue de exemplo uma refeição do seu dia hoje e como você a realizou. Coloque-se nesse momento apenas como uma testemunha, como se você fosse outra pessoa se assistindo naquela refeição. O que você vê? Uma pessoa faminta ou não? Como você decidiu colocar no prato o que você colocou? Você assentou para comer ou comeu em pé? Você sentou-se a mesa? Estava fazendo outra coisa ou só comendo? No que você estava pensando? Estava sentindo algo? Usou as mãos em algum momento ou somente os talheres? Você se lembra do cheiro da comida? Lembra das cores dos alimentos que você escolheu? Teve algum sabor que te chamou mais atenção? E a textura, como era? Quando você decidiu parar de comer?  Ao terminar, o que você sentiu? O que você pensou?

 

Ufa! Quanta coisa acontece enquanto comemos! E tudo isso tem a influência da sua mente, esteja ela no modo consciente ou não. De alguma forma a sua mente te levou às decisões tomadas nessa refeição.

 

Levar a atenção plena para o “seu comer” é uma experiência que integra todo o seu ser, seu corpo, sua mente e o seu coração. Permite que você não se atenha a qualquer atitude julgadora que pairar sobre sua mente, como as regras auto impostas por dietas ou pensamentos de dietas.

 

O modo “comer consciente” é muito mais amplo que simplesmente comer devagar e prestar atenção enquanto se come.

 

Nesta experiência você não é guiado por nenhuma regra ou tabela e nem por nenhum guru da alimentação. Você é livre para se conectar com os sinais do seu corpo e atender suas reais necessidades, a se permitir checar seus sentimentos e pensamentos sobre a comida, a sentir e viver suas emoções sem usar a comida como fuga.

 

As habilidades do comer são suas, e você nasceu com elas assim como o poder de estar presente em si mesmo. Acredite em si mesmo, confie na sua intuição, nos seus sentimentos e sinais do seu corpo, em vez de confiar em regras externas.

 

Aqui você é o seu próprio guia, o único expert no seu corpo é você.

 

Vamos praticar um pouco?

 

Você vai precisar de apenas 3 minutos.

 

Respire profundamente por três vezes no seu ritmo e maneira natural.

Tome consciência do ambiente ao seu redor prestando atenção nos sons que chegam até você, na temperatura do ambiente, se há sensações agradáveis e desagradáveis.

Observe seus pensamentos e também suas emoções neste momento.
Aos poucos, traga a atenção para a sua respiração, sem tentar modificá-la, apenas respire e a observe por um instante. Se a sua mente se distrair, não brigue com ela, apenas traga a sua atenção de volta a respiração, quantas vezes forem necessárias.

Progressivamente vá levando a atenção para todo o corpo e, posteriormente, para o ambiente finalizando a prática.  

 

Essa é uma pequena prática de Atenção Plena (Mindfulness). Se realizada antes das refeições, trará mais atenção ao momento presente, promovendo escolhas mais conscientes em relação aos alimentos e suas necessidades, pois você estará mais conectado com as suas reais necessidades do momento.

 

E agora!

 

A prática da atenção plena deve ser direcionada pela própria experiência interna, que é sua e por isso é única. Baseado na experiência que você viveu agora a pouco, você deu o primeiro passo. E se a sua escolha for se permitir prosseguir nessa caminhada de descobertas que a presença em si mesmo traz.... Seja bem-vindo! Esse é um caminho sem volta, onde muitas vezes você irá se questionar: “por que eu não comecei antes?”.

 

 

E eu vou me despedindo por aqui.

Agora são as pontas dos meus dedos que estão quentes não só o teclado, as maritacas se foram, e a única melodia que escuto é a respiração ofegante de um dos nossos cachorros que se deitou ao meu lado, no meu colo está a Bela, outra cachorrinha, transmitindo o calor do seu corpinho. E o meu corpo, cansado, pedindo banho e comida. Na minha mente o pensamento “como foi bom escrever esse texto”; no meu coração, toda a minha gratidão por você estar aqui novamente.

 

 

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