Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

Vulnerabilidade: Tirando a roupa de Mulher Maravilha

17 Mar 2018

Olá!

Nesse e no próximo texto, quero discorrer com você a respeito de uma palavra um tanto quanto assustadora, mas muito necessária para a nossa vida: Vulnerabilidade.  Começarei falando para as Mulheres Maravilhas e no mês que vem para os Super Homens.

 

E, devido ao título, você deve ter percebido que sou fã de filmes de super heróis. Isso se deve aos valores que eles representam e sua capacidade em lidarem com o conflito entre a própria vontade e o dever – amo isso! Desse modo, cresci acompanhando diversos personagens e hoje vou ao cinema toda vez que sai um novo filme.

 

A única coisa que não contava, era que ao decidir ser uma psicoterapeuta, me depararia no consultório, com muitas e muitas pessoas tentando insistentemente ao longo da vida se tornar um herói ou heroína. A tentativa, por si só, é louvável num primeiro momento, contudo, nela pode se encontrar algumas armadilhas emocionais perigosas... um inimigo silencioso e astuto, que no caso das mulheres, tem por nome Mulher Super Independente.

 

Uai... como assim? Não é bom ser independente?

 

A resposta é SIM!!! Entretanto, algumas mulheres, ao assumirem isso como o centro de sua vida, acabam pagando um preço alto.

 

Ao longo do tempo fomos incentivadas a conquistar nosso espaço no mundo, sair da caixinha e nos apresentar em áreas que eram monopolizadas pelos homens. Nossa... e como isso é bom! Mas, para algumas mulheres, ser assim se tornou um fardo, pois acreditam piamente que seu dever absoluto é dar conta de tudo, com resultados perfeitos e sem pedir ajuda ou reclamar. Desse modo, ela mesma se imputa a obrigação de ser a super mãe, a super profissional, a super amiga pra todas as horas, a super esposa, a super filha, a super companheira... a super mulher independente. Que ao final do dia, depois de cumprida todas as obrigações, ainda tem que estar super linda e feliz.

 

Esse nível de autoexigência e autocobrança de longe é saudável para as emoções. Sei que em alguns momentos precisamos “agarrar o leão pela juba”, porém algumas pessoas levam isso como estilo de vida e se recusam a delegar, pedir ajuda, dizer “não” e ainda sofrem intensamente quando algo não sai como planejado, pois isso significaria que não se dedicou como deveria, que errou, que foi incompetente ou ineficaz. E sim... isso não é raro de acontecer.

 

Geralmente, na cabeça dessas mulheres, passam os seguintes pensamentos “Eu tenho que dar conta de tudo”, “Não vou pedir ajuda porque não quero incomodar ninguém”, “Já que eu assumi essa responsabilidade, tenho que dar conta sozinha”, “Detesto depender das pessoas, porque sempre tem má vontade”, “Não quero ser um fardo pra ninguém”, “Ninguém fará com a mesma qualidade que eu” “Eu tenho... tenho... tenho...”.

 

Então, essa Mulher Super Independente tem que lidar com o conflito constante entre dar conta de tudo e estar com a energia cada vez mais baixa, não considerando outras alternativas mais eficazes. O custo disso se desdobra para além do cansaço físico, traz impactos emocionais, sendo o mais comum a Blindagem Emocional. Isto é, se recusam a lidar com seus limites, com emoções que são naturais sentir, acumulam frustrações e represam tudo dentro de si. Porém chega um ponto que a intensa pressão se rompe e traz impactos físicos (doenças psicossomáticas, baixa imunidade), emocionais (esgotamento emocional, depressão, ansiedade), comportamentais (irritabilidade, apatia) e nos relacionamentos (cobranças, inseguranças, isolamento).

 

E o impacto não para por aí... ele se estende às pessoas que estão à volta, pois é tirado delas a oportunidade de contribuírem, crescerem e aprenderem. Já me deparei com adultos no consultório que são filhos de Mulheres Maravilhas e não sabem tomar suas próprias decisões, pois a mãe sempre se antecipou as suas vontades, resolveu seus problemas, falou por eles, decidiu por eles, fez por eles...

 

Sendo assim, permita-se ser vulnerável, não no sentido de se tornar dependente ao extremo, mas reconhecer que não precisa dar conta de tudo sozinha. De que é um DIREITO seu chorar, cansar, pedir ajuda, não ter todas as respostas, não ser perfeita. Isso, de forma alguma, quer dizer que não seja capaz, e sim que entende que deve se preservar para que a vida se torne mais leve, tanto para si, quanto para as pessoas a sua volta.

 

Desse modo, tire a roupa de Mulher Maravilha e se torne a Mulher que deseja ser, com suas limitações, mas feliz!

 

SE PERMITA!

Grande abraço e até a próxima!

 

 

 

 

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