Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

A Vida é sobre viver (e não sobreviver)

5 May 2018

O relato de hoje será um recorte de algumas das reflexões que vieram à tona durante estas três semanas anteriores. Foi um período onde várias coisas aconteceram ao mesmo tempo, e se eu pudesse resumi-lo em algumas expressões, diria que foram semanas de grandes redescobertas, chacoalhadas da vida, desafios pessoais e experimentações.

 

Dentre as experiências que tenho vivido, está o Dojô da Perestroika, uma oficina de teatro gratuita e semanal no Centro de Referência da Juventude de Belo Horizonte, os preparativos para a inauguração do @espacopoiesisbh, em parceria com a grande amiga @cibelepedrosasimoes, tenho feito alguns encontros com jovens aprendizes para falar de coisas do mundo e do futuro, tenho feito um curso em parceria com a @marirochacoach, dentre outras atividades. A soma de todos estes desafios pessoais tem revirado, bagunçado e desconstruído o que há aqui dentro, mas confesso que viver toda esta desordem tem sido algo fantástico!
 

Em um dos textos que escrevi aqui no blog, fiz uma breve reflexão acerca da pergunta: “Quem é você?”. E afinal, quem sou eu? Diante do cenário ali em cima ainda estou descobrindo quem sou. No entanto, a única resposta certeira para esta afirmação, é de que sou um ser humano. Filosofias a parte, não é a toa que ser humano começa com ser: pode se referir a criatura (ser vivo), mas pode também se referir a uma série de adjetivos que complementam a conjugação do verbo ‘ser’ na primeira pessoa do presente do indicativo. Temos então uma grande confusão do que é o ser versus o que é o estar, mas isto serão cenas de um próximo capítulo.
 

O que sou além de “ser um ser humano” ainda permanecerá em fase de descoberta, e acredito que só conseguirei saber as possíveis respostas quando partir desta para a melhor. Enquanto este dia não chega (ainda bem, né?) peço licença a Raul Seixas para me trajar neste instante de uma ‘metamorfose ambulante’, pois todas as transformações das quais tenho me permitido viver, são um dos principais motivos que me fazem sentir vivo de fato e não cair no lugar comum. Um dia estou assim, no outro dia estou assado.

 

Dica de Filme: Quem Somos Nós?

 

E o que é a Vida? Aprendi com a Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes em sua palestra Conversa sobre a morte , que há um grande equívoco ao pensar que o oposto de morte é vida. O oposto de morte é nascimento e a vida é o que acontece no intervalo entre o primeiro e último suspiro. É neste intervalo que toda a mágica acontece! Meu intervalo tem sido recheado de várias mudanças, que têm me permitido ampliar a minha visão de mundo, experimentar coisas novas, estar em contato com outras pessoas, enxergar a partir de outras visões e continuar neste processo semi-infinito de me construir como humano.
 

Ser um ser humano me transporta para o campo da vitalidade, da razão e da consciência. E quando achei que já conhecia uma boa parte de mim, o universo fez questão de me mostrar o quão petulante sou perante as coisas da vida. Foi aí que cheguei à conclusão que o caminho de me conhecer é uma estrada com início, sem meio e muito menos sem fim. Quanto mais (eu acho que) me conheço, menos (eu realmente) me conheço. Graças a essa brincadeira toda, posso me construir e me experimentando de várias formas: eu comigo mesmo, eu com o outro, eu com os outros, mas sempre eu e o nós. Sempre eu, pois a ação de dar qualquer passo para ir em busca de algo depende única e exclusivamente de mim. Sempre nós, pois só nos humanizamos enquanto estamos com os outros.

Aprendi nestas semanas que há momentos em que não há nada de errado em não ter objetivos muito bem definidos. Nem sempre teremos total controle sobre tudo o que acontece e aí é preciso ter humildade para afrouxar as rédeas ao menos um pouquinho. O fluxo também precisa fazer seu trabalho. É nesta hora que você deve continuar a seguir o caminho, mesmo sem saber aonde vai dar, pois o que importa, realmente, não é o destino final, e sim, tudo o que foi vivido durante a jornada (isto me lembra uma cena do filme “Poder Além da Vida” - fica mais uma dica!).

Por fim, aprendi que a vida não é sobre ter sucesso, ter muito dinheiro ou chegar no topo. Isso pode fazer parte e não há nada de errado nisso, mas acho que a vida vai um pouco mais além. Parafraseando o grande filósofo Mário Sérgio Cortella, é preciso não ter uma existência banal, pequena e que escorreu pelas mãos. Para isto vale um bom exercício individual para refletir: se você tivesse apenas algumas semanas de vida, o que faria? O que tem feito, mas que pararia de fazer? O que não tem feito, mas que começaria a fazer? O que fez, mas que não deveria ter sido feito? O que não fez, mas que deveria ter sido feito?

 

Ruminar algumas respostas para estas perguntas me leva a pensar que o resultado final da matemática da vida é bem simples: a graça da vida é viver e não sobreviver. E você: a que ‘lado’ pertence?
 

Trem-bala - Ana Vilela 

 

 

 

 

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