Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

Empatia no Puerpério

8 May 2018

No último sábado, estive na Roda Gestar e Cuidar no Espaço Garbhini Amardas no bairro Santa Teresa.  Fui facilitadora do encontro, a convite da querida Sat Sundri Kaur. Minha contribuição foi falar da importância do exercício da empatia no momento de transformação em puérpera.

 

Para falar desse assunto, eu revisito o meu próprio puerpério, trago a minha experiência de 15 anos acompanhando mães no puerpério com bebês internados em CTINEO, somados aos meus estudos em Comunicação Não Violenta e leitura da obra da autora Laura Gutman – “A Maternidade e o encontro com a própria sombra: o resgate do relacionamento entre mães e filhos”.

 

Para mim, a maior fonte para a compreensão do que eu vive e acompanho na vivência de outras mulheres em seus puerpérios é a obra da Laura Gutman. A partir dessa leitura, eu consegui denominar com mais clareza as questões que enfrentei no meu puerpério e que vejo as mulheres que acompanho, enfrentarem.

 

Sem nenhuma preparação consciente para receber meus filhos, (falarei mais disso em um outro artigo) eu reconheço que adentrei o deserto da desestruturação emocional, que Laura Gutman  afirma que acontecerá depois do parto (a palavra deserto foi acrescentada por mim). Era uma sensação de não saber mais quem eu sou, com um esforço enorme para manter quem eu era antes, principalmente, antes do primeiro filho chegar.

 

Entrar de forma ingênua no puerpério foi um dos maiores riscos que já corri em minha vida.

Laura Gutman afirma que o bebê é a manifestação organizada da sombra da própria mãe. Por sombra pode-se entender as questões emocionais não elaboradas pela mulher, mas guardadas em seu inconsciente. A chegada do bebê nos enche de luz e torna-se inevitável que diante disso a sombra se manifeste (luz X sombra).

 

A mesma autora nos afirma que a criança que está pronta para nascer oportuniza para mãe a entrada no mundo adulto, mas essa decisão é pessoal. Para tal, é importante a mulher querer ser ativa em seu processo de preparação para a maternidade.

 

Tomada a decisão de ser ativa, de fazer escolhas conscientes, de aceitar a oportunidade de evolução pessoal e de reconhecer a natureza da fusão emocional entre mãe e bebê, há algumas condições práticas para acolher e viver (e não sobreviver) o puerpério. Seguem, abaixo, algumas dicas para promover a empatia no puerpério:

  1. Todas as puérperas precisam de uma rede de apoio e não deve ficar muito tempo sozinha:                                                                                                                                              A minha dica é para o casal ou a gestante parar um tempinho e construir o mapa da sua rede de apoio. Pensar nas atividades do dia-a-dia como cozinhar, lavar roupas, tomar banho, preparar os pequenos lanches, sair para o médico, descansar e ver quais são as suas necessidades e com quem você poderá contar para apoiá-la. Faça isso por escrito. Cuidado para não cair na armadilha de querer dar conta de tudo. Para maternar é preciso que alguém “materne” a mãe.                                                                                                  

  2. Busque apoio afetivo. Sejam quais forem as escolhas conscientes que você fez para o seu parto, o puerpério e a criação dos filhos, conte com alguém que compartilhe das ideias e visão de mundo que você tem, alguém que tenha o valor autenticidade preservado, juntamente com respeito. Pode ser um grupo de apoio, pode ser uma amiga, pode ser sua mãe, pode ser um profissional. Só não deixe de ter essa pessoa, e se possível conte para ela que você a elegeu como alguém que é capaz de ouvi-la sem julgamentos, sem desresponsabilizar, sem comparar e sem exigir nada. Alguém capaz de oferecer escuta empática e ajuda prática.                                                                                

  3. Pratique auto empatia. Se você é gestante ou tentante, tire um tempinho para sentar, escrever sobre o que você está sentindo e necessitando. Pense em ações que possam ajudar você mesma a enfrentar a situação. Empodere-se. Respire. Tome um banho prolongado. Seja a pessoa que muito te ama. Se você for puérpera, acione alguém da rede de apoio e crie esse momento para respirar e localizar seus sentimentos e necessidades. Repita o mantra: tá tudo bem...tá tudo bem...tá tudo bem...respirando até que você eleve o seu estado mental para uma vibração mais positiva.                                           

  4. Aceite que você não precisa convencer outras pessoas sobre nada do que você pensa e escolhe sobre a sua maternagem.                                                                                                         

  5. Compreenda que você e o recém-nascido estão ainda muito ligados numa fusão emocional. Acolha tudo o que se manifestar: choro, mudança do padrão de sono, demanda por mamadas, como algo que diz respeito a vocês. Uma dica é prestar atenção no seguinte ritmo: ordem, alimentação, higiene e sono, se todos esses pontos estão sendo respeitados e solucionados, os que aparecerem podem dizer mais respeito à sombra e precisam de acolhimento.                                                                                                     

  6. Aproveite a viagem, você a fará uma vez só.

Eu sou Handula Janine, terapeuta ocupacional, idealizadora do Consultório de Mãe, que tem por objetivo apoiar tentantes, gestantes e puérperas a viver uma das viagens mais enriquecedoras e fantásticas da vida: tornar-se MÃE. Agende a sua consulta.

 

 

Compartilhar no Facebook
Share on Twitter
Please reload

Destaques

O PESO

November 18, 2019

1/10
Please reload

Arquivos
Please reload

Siga-me
  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon