Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

O prazer de desacelerar

12 Jul 2018

Em nossa vida moderna e acelerada, correndo de um lugar a outro, de uma atividade a outra, de casa ao trabalho, a inquietude e a agitação da mente saltando o tempo todo de um pensamento a outro, listas de pendências cada vez mais longas que parecem nunca terminar, sequer tomamos um momento para respirar.

 

Como passar nossos dias assim, deixando a vida escorregar nesse ritmo alucinado sem de verdade vivê-la?

 

Há quase três anos decidi desacelerar e trazer a atenção plena para o meu dia, direcionando minha atenção para como utilizo o meu tempo e onde dedico minha energia.

 

O estado de atenção plena, é natural do ser humano, mas nos desconectamos dele em meio a esse mundo frenético e as demandas tão ligeiras da vida. Conceitualmente “Atenção Plena” é colocar propositalmente a atenção no que está ocorrendo momento a momento, no nosso mundo interno e externo, com uma atitude de abertura e curiosidade, sem julgamentos ou críticas, sendo um observador de si mesmo. E para resgatar e treinar essa habilidade de manter-se presente, nos apoiamos em práticas meditativas com a utilização de âncoras de atenção, e uma delas é a respiração.

 

Apesar de praticar diariamente de maneira formal e informal, eu não vivo 100% do meu dia centrada no momento presente. Para todo ser humano, creio que muito mais para nós ocidentais, é muito desafiador desacelerar, a mente é como uma cachoeira jorrando água, mas podemos treiná-la para a maior parte do tempo se assemelhar as águas tranquilas de um lago. Por isso, mesmo com os desafios eu mantenho minha prática, porque isso me permite acalmar meu corpo, a minha mente, acolher e respeitar minhas emoções mesmo quando negativas e estar presente em minha vida para apreciar o que de melhor ela tem a me dar.

 

Experimente parar um pouco, fazer pequenas pausas no seu dia e apenas prestar atenção na sua respiração, e quando a sua mente divagar, jorrar pensamentos, de forma gentil volte a atenção para a sua respiração e permaneça um pouco assim, apenas dedicando a sentir a sua respiração.

 

Não precisa ser muito tempo, comece parando 1 ou 2 minutos, pode colocar um despertador para você não se preocupar com o tempo. E a medida que for tomando gosto e se sentindo à vontade, prolongue um pouco mais. Se você se permitir verdadeiramente desacelerar, logo sentirá os benefícios.

 

E o que esse estado de atenção tem a ver com a comida?

 

Quando tratamos do assunto “ter uma alimentação saudável”, “peso corporal”, encontramos diferentes abordagens, e claro que como somos diferentes, essas diferentes abordagens funcionam para pessoas diferentes.

 

Mas por outro lado, o que temos encontrado em estudos sobre a prática de dietas, é que manter o peso corporal vai muito além de contar consumo e gasto calórico. E frenquentemente as mensagens sobre alimentação e nutrição geram muito mais medo, culpa e vergonha, que comportamentos saudáveis para a saúde física e mental. Mensagens do tipo “ o açúcar é a droga do século” e as famosas listas de “proibidos” e “permitidos” que só geram culpa, vergonha e confusão não dão resultado e contribuem para um comportamento alimentar adoecido, os índices de obesidade e transtornos alimentares só aumentam a cada dia e estão aí para promover uma reflexão sobre como temos cuidado da nossa saúde e da nossa relação com a comida.

 

É certo que uma alimentação de qualidade é essencial para uma boa saúde, mas não é com base no medo e outros sentimentos negativos sobre a comida que vamos cultivar comportamentos saudáveis. A relação com a comida também deve promover bem-estar, e comida não é só nutriente para o corpo, é também para a alma.

 

É urgente abordar a alimentação com mais amorosidade, fazer as pazes com a comida e com o que sentimos em torno dela.

 

Comer com Atenção Plena, dá espaço para explorarmos com curiosidade os nossos pensamentos, nossas crenças, nossas emoções que temos sobre a comida e nosso corpo, e podermos através de um comer mais intuitivo descobrir como nos nutrir de uma forma mais gentil, amorosa e que verdadeiramente nos faça sentido. Permitir ouvir o que o nosso corpo precisa e cultivar a consciência nas escolhas alimentares que fazemos e na forma como comemos, abre espaço para criar um relacionamento alegre e prazeroso com a comida, com o nosso corpo e com nós mesmos.

 

Comer consciente e intuitivamente significa nutrir seu corpo, sua mente e sua alma ao mesmo tempo em que você aprecia e saboreia tudo o que come.

 

Permita-se viver uma nova relação com a comida

 

Escolha uma refeição do seu dia a qual você possa se dedicar. Comece desacelerando, trazendo sua atenção para a sua respiração. Capriche na arrumação da mesa, pegue um prato bonito. E comece tomando consciência como se sente relação à sua fome, observando o quanto de fome você sente. Tome consciência observando, tocando, a aparência, a textura; sinta o aroma, ouça o som da sua mastigação, tome consciência dos sabores que emergem na sua boca. Procure ter essa atenção a cada bocado, a cada pedaço, a cada garfada. Experimente ainda observar se o sabor diminui ou intensifica de um bocado a outro. Observe também a velocidade, se come rápido, se come devagar. Faça pequenas pausas entre uma garfada e outra. Tome consciência no que está acontecendo dentro de você, seus pensamentos e emoções e no ambiente, e como isso influencia suas decisões alimentares. Após terminar sua refeição observe, como se sente agora. O quão cheio está, se está confortável ou talvez desconfortável. Se deseja mais um pouco e o que motiva esse desejo.

 

E o mais importante, apenas viva essa experiência, sendo um observador de si mesmo, sem julgamentos ou críticas.

 

E que até o nosso próximo encontro você já esteja colhendo os frutos de saborear mais a vida e a comida. Bom apetite!

 

 

 

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