Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

A CRISE MUNDIAL EM NÓS

18 Oct 2018

"Desde a muito permanecemos voltados para nossos líderes.  Mas o que há de tão especial nesse tipo de autoridade? Hoje, esse conceito de liderança, segundo a qual a responsabilidade  e a administração sempre recaem sobre outros, está completamente ultrapassado. Entretanto, uma verdadeira crise nos retira de nossos hábitos e oferece a possibilidade  de algo realmente novo."
(Pentagrama)

 

O perigo de uma crise, e da perda de confiança  que ela gera em relação às instituições e poderes estabelecidos, é  que já não levemos muito a sério nossas próprias responsabilidades e deveres morais, que tendamos a limitar nossas ações e gestos ao que nos atrai, deixando de lado o interesse comum, que, desse modo, nos esqueçamos completamente nossa profunda conexão com o grande Todo ignorando os interesses de nosso próximo - se é que algum dia já  os levamos em conta - sem nos chocarmos com isso.


Nossos atos já não são prioritariamente orientados por velhas idéias herdadas ou impostas, no entanto, ainda estamos longe de fazer o que deveríamos. Isso sem levar em conta nossos valores interiores mais profundos, pois, para isso, seria necessário saber o que realmente queremos, e, nesse campo, todos buscam e duvidam. Entretanto, cada um parece crer e confiar em sua busca.


A ideia muito atraente de que tudo pode ser comprado nos coloca numa realidade ditada pelas leis do consumismo, segundo as quais só poderíamos nos liberar de nossos desejos satisfazendo-os imediatamente. Ao invés de sondar a origem de tais desejos, nós os esvaziamos do conjunto maior  ao qual pertencem, destituindo-os de seu sentido profundo.


Agora que mudanças inevitáveis nos alcançam,  somos confrontados com a questão de saber qual realidade, qual futuro escolheremos. Deveríamos, por exemplo, deixar-nos guiar por pensamentos de um fim dos tempos, um Armagedom, e viver uma batalha de todos contra todos? Durante uma crise existencial, devemos pensar que se trata simplesmente de uma fase terminal,  ou ter confiança e considerá-la um momento decisivo crítico, um processo de separação ou seleção, um período de transição? Diante dessa possibilidade, encararemos esse prognóstico de crise como se fosse uma previsão de chuva, ou seria melhor procurar as oportunidades que ela pode nos oferecer?


Recusamos a mudança? A cada mudança natural, a lei da inércia engendra uma resistência que é preciso vencer. Não me refiro aqui à incompreensão ou resistência que oporia a mudança. Uma verdadeira crise existencial caminha lado a lado com quem vive de modo consciente. Entretanto, uma crise desta amplitude abala nossos hábitos e nos conduz a um momento decisivo; de fato, cada um de nós é este momento decisivo. Mas podemos recair no hábito e nos furtar a este momento de crise, relacionando-o ao passado ou ao futuro, por meio de lembranças ou expectativas. Nesse caso, somente serão possíveis reações ou de perda ou de conservação.


Em uma crise real podemos ter a sensação de total perda de controle sobre o curso dos acontecimentos. Somos brutal e conscientemente colocados no presente, o único momento que pode ser realmente observado. Entretanto, quando o controle nos é retirado, uma abertura se torna possível. Nesse instante, a ordem natural das coisas pode ser restabelecida a despeito de nós mesmos. Na verdade, perturbamos constantemente o equilíbrio natural,  enquanto a natureza busca restabelecê-lo. Mas temos consciência suficiente desse possível restabelecimento? Sentimo-nos unidos a esta natureza, ou somos impulsionados pelo medo? E, considerando uma escala mais abrangente, quando uma perturbação do nosso campo de vida é   corrigida no corpo do nosso planeta, sabemos responder com a organização, tão rápida quanto possível, de uma nova ordem mundial, de um sistema social diferente, de uma outra civilização? Em que se baseia essa ordem, essa civilização? E afinal o que é uma pessoa civilizada?

Queridos Amigos continuaremos esta conversa no próximo texto. Um abraço a todos e boa reflexão.

 

 

 

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