Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

Um novo olhar sobre as relações familiares

29 Oct 2018

“Não existe revelação mais nítida da alma de uma sociedade do que a forma como esta trata as suas crianças.”

Nelson Mandela

 

Você já deve ter escutado alguém dizer “ah que saudade das crianças de antigamente!”, se é que você não é essa pessoa. Mas, o que será exatamente que querem dizer com isso? Saudade de quando as crianças eram mais obedientes? Mais disciplinadas? Menos birrentas? Eu acredito que sim.

 

O desejo de que as crianças voltassem a ser como antes, para mim, aponta para uma mudança que realmente tem acontecido no comportamento das crianças, como também dos pais e da sociedade em relação a elas. O que me leva até a pensar: quem será que está mudando primeiro? As crianças ou a forma como nos relacionamos com elas ou a cultura?

 

A resposta para essa pergunta realmente não tem muita importância, pois a mudança já está acontecendo, então, precisamos agir. Precisamos pensar e desenvolver um NOVO OLHAR para a infância, um novo olhar para o como interagimos com as crianças e, principalmente, um novo olhar para as relações familiares.

 

Novos Olhares

 

Pode-se achar que os movimentos em prol das crianças e da infância são relativamente “novos”, o que não é bem verdade. Na verdade a notoriedade e o espaço que os temas relativos a infância ganharam, esses sim, são relativamente novos. Não sei relacionar ao certo o que teria “disparado” isso, mas aconteceu. E que bom.

 

Começando pelo reconhecimento da importância da Primeira Infância. A fase da vida que vai desde o nascimento até os 6 anos de idade. A própria ciência, a cada dia, tem mais e mais evidências de que esse período é de extrema importância para todo o desenvolvimento da criança. Inclusive, a série O Começo da Vida, apresenta alguns estudos, além do depoimento e entrevista com diversos profissionais que estudam o assunto. #FikaDika.

 

A ideia que se tinha da criança como uma “folha em branco”, na qual vamos “carimbando” as informações, vem sendo repensada.

 

A segunda mudança que observo é a percepção da criança como um ser de potencialidades. Quando a criança sai de uma posição passiva, onde ela só recebe informações, para uma mais ativa, onde ela não só recebe a informação, mas também atua ao processar, elaborar, tirar conclusões e agir.

 

Igual a uma semente, que tem todo um potencial para se tornar uma linda e florida árvore. Acredita-se hoje que a criança já possui consigo todo um imenso potencial, precisando somente de boas condições para desenvolvê-lo, assim como a árvore, que precisa ser cuidada com regas e podas.

 

O aprendizado motor, o desenvolvimento do cérebro e o começo da vida social e afetiva, são importantes processos do desenvolvimento vividos pela criança, justamente durante a primeira infância. As condições nas quais esses e outros processos ocorrem, podem influenciar diretamente no desempenho da criança no futuro.

 

Os cientistas gostam da analogia da criança como uma casa em construção. A primeira infância seria a base dessa casa, sobre a qual todo “o resto” da estrutura será construído. Só para você ter noção, durante a primeira infância, ocorre o chamado “bum” do desenvolvimento cerebral da criança. Ela chega a fazer de 700 a 1000 novas conexões neuronais (ligações entre as células do cérebro) por segundo. É conexão pra caramba, você não acha?

  
Não precisa ser um arquiteto(a), engenheiro(a) para saber que um prédio com uma estrutura/base “mal feita” não permanecerá de pé. E ao contrário de um prédio, o cérebro de uma criança não pode ser demolido e construído de novo. Por isso, a atenção com o que está sendo “construído” já na primeira infância é fundamental.

 

As inúmeras descobertas sobre a primeira infância, têm revolucionado não só a ciência mas também a sociedade. Já sabemos que o impacto social que uma criança “bem cuidada” gera é positivo, tanto no aspecto pessoal, social ou econômico. Você pode estar pensando: “Mas Bia, como que faz então? Eu quero que meu filho seja uma boa criança e cresça sendo um bom adulto também. Quero que ela seja como antigamente, mas também quero que ela seja tudo isso ai que a ciência tá descobrindo”.

 

Fica calma, você está no lugar certo, pois será sobre isso o que falaremos aqui nessa coluna. Novas ideias, descobertas e estratégias para educar os filhos, tendo como base os novos estudos sobre o desenvolvimento infantil, da Psicologia, de filosofias como a Disciplina Positiva, a Criação com apego, a Teoria Montessoriana e muito mais.

 

O fato é que tem muito mais do que você pode imaginar, acontecendo dentro da cabeça - literalmente - de uma criança. Alison Gopnik, Psicologa e Pesquisadora da Universidade da Califórnia, comenta que: “Agora sabemos que eles (as crianças) são os melhores aprendizes, cientistas, que já ouvimos falar nesse Universo.”, e eu completo: eles só precisam é do nosso modelo positivo, da nossa presença, orientações e condições para se desenvolverem.

 

E se?

 

Para finalizar, quero te perguntar uma coisa que sempre pergunto aos pais que acompanho: Se hoje, você pudesse se lembrar de como era quando tinha 3 anos de idade, de como era estar com uma dor, ou fome, ou triste, ou frustrada e não conseguir explicar e/ou até entender o que está acontecendo, como seria a sua relação com os seus filhos hoje? Se você pudesse se lembrar de como é passar/sentir, o que o seu filho está passando/sentindo, será que você seria mais “maleável” ou até saberia como resolver aquilo de uma forma mais “saudável”?

 

Ter um novo olhar sobre a educação e as relações familiares é uma grandiosa e bela caminhada. Muitas vezes, vira uma viagem para dentro de nós mesmos, mas é justamente para isso que estarei aqui, para te guiar e acompanhar nesse processo. Aliás, escreve pra mim nos comentários: Qual a lembrança mais antiga você tem da sua infância?

 

Nos vemos no próximo post.

 

 

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