Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

Escola não é lugar sem propósito

5 Nov 2018

Querido/a leitor,

Abro o texto de hoje com um pequeno trecho da música Ao mestre com carinho que trata da relação entre professor/a e aluno/a.

 

“... Foi com você que eu aprendi a respeitar os outros. Legal ter você aqui. Um amigo em quem eu posso acreditar...”

 

 Hoje quero falar da relação entre professor/a e aluno/a. Uma relação permeada por desafios de todos os lados, no entanto, que é fundamental para o desenvolvimento escolar do/a estudante e para a saúde emocional e física do/a professor/a.Não é de hoje que essa relação sofre ataques. Não é de hoje que o desafio de construir um caminho para uma relação de respeito mútuo existe na educação. A luta existe desde que se iniciou essa relação e não tem como fugir dela.

 

Ao longo dos anos, alguns resultados foram alcançados. Na busca por uma relação respeitosa, o/a professor/a passou a entender que o/a aluno/a não é uma tabula rasa, sem conhecimentos prévios. Este passou a ser considerado no processo de ensino-aprendizagem como sujeito da aprendizagem, um ser com contextos de vida que devem ser considerados no seu processo formativo. Os/as professores/as por sua vez, deixaram de ser vistos como detentores únicos do saber e passaram a ser considerados como mediadores no processo de ensino, aquele/a que irá conduzir o/a aluno/a de forma responsável, abrindo a janela para novas descobertas.

 

O descortinar dos papeis atribuídos aos sujeitos pedagógicos, além de contribuir para melhoras significativas na aprendizagem dos/as educandos/as, também permitiu a aproximação das famílias com o contexto escolar. A escola se tornou mais aberta e receptiva aos pais, criando, muitas vezes, horários alternativos para que pais e mães fossem as escolas e participassem da vida escolar dos/as filhos/as. Esses são pequenos avanços que ocorreram durante muitos anos de investimento. Porém, é preciso cuidado na relação professor/a aluno/a para que não haja a perda dos poucos direitos e benefícios adquiridos com essa aproximação.

 

Toda relação precisa de cuidados. Os/as namorados/as costumam ser mais cautelosos com suas relações. Em sua maioria, fazem questão de tratar bem, com respeito, demonstrando todo amor que sentem uns/umas pelos/as outros/as. Dão flores, presentes, fazem declarações. Cuidam da relação! No casamento também é preciso cuidar da relação, caso contrário o fim poderá ser desastroso. Entre família, também se exige o cuidado com a relação, dialogando, mudando de postura quando necessário, fazendo acordos... Se toda a relação precisa de cuidado e atenção, por que seria diferente com a relação entre professor/a e aluno/a? Embora essa seja uma relação com data prévia para acabar, as marcas geradas por ela podem transcender o tempo e nos acompanhar por toda uma vida.

 

Os prejuízos de uma relação mal resolvida, de embate e ataque são inumeráveis quando nos referimos à educação. Para os/as alunos/as, isso irá interferir diretamente nos resultados de sua aprendizagem, pois, como já disse em texto anterior, aluno/a não aprende com quem não admira ou gosta. Como diz na canção que abriu este texto, o/a aluno/a precisa ver no/a professor/a um/a amigo/a em que ele/a possa acreditar...Se, como pais, mães ou responsáveis não ensinarmos nossos/as filhos/as a se dedicarem a um bom relacionamento com seus/suas professores/as, ele/a dificilmente irá se interessar pelo conteúdo; dificilmente irá respeitar aquele/a professor/a e dificilmente irá acreditar na importância do que está sendo ensinado.

 

Por outro lado, se professores/as não se dedicarem a conquistar a confiança de seus/suas alunos/as, se mostrando aberto/a as suas inquietações, seus medos e suas dúvidas, dificilmente haverá comprometimento com a formação daquele educando. Em qualquer que seja a situação, precisamos levar em conta que colocar alunos/as e famílias contra professores/as constitui-se um retrocesso na educação. Professores/as não são inimigos. Alunos/as não são seres vazios, aptos a receberem ensinamentos de qualquer ordem. Escola não é lugar sem propósito. Escola é lugar para propor discussões de forma respeitosa, considerando as diferenças e as especificidades de quem a compõem.

 

Investir em relações respeitosas no ambiente escolar é dever de todos os sujeitos pedagógicos, quais sejam alunos/as, professores, pais, mães, diretores/as, equipe pedagógica. Se como pai ou mãe você tem dúvida sobre o que está sendo ensinado ao/a seu/sua filho/a, vá a escola. Agende uma conversa. Ouça o que tem a dizer o/a professora/a de seu/sua filho/a. Oriente seu/sua filho/a a tratar com respeito o/a professor/a. Invista nessa missão de contribuir para uma relação saudável e harmoniosa.

 

Ataques a figura docente não trarão nada de bom. O diálogo respeitoso continua sendo o meio mais eficaz para dissolver dúvidas. Se você tem filho/a em idade escolar, pense no/a professor/a como um/a parceiro/a importante na tarefa de ensiná-los/as a crescer e se desenvolver. Se aproxime desse/a professor/a, essa será a maneira mais sensata de compreender o que ele/a deseja ensinar nas suas aulas. Se interesse pelo conteúdo e se encontrar algo de que discorda, converse. Não ataque! Tente entender. Lembre-se que em uma situação de ataque, perdem todos/as.

 

Um forte abraço e até o próximo texto!

 

 

 

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