Blog Memorarces

Por Rubia Arce e Colunistas

MANSIDÃO

22 Dec 2018

Queridos leitores, hoje vamos falar sobre um tema muito especial e delicado para nossa vida e nosso dia a dia no contato com o outro. Espero de coração que seja  uma boa reflexão para todos que com ele entrarem em contato.

MANSIDÃO

Para que possamos nos aproximarmos e nos aprofundarmos no real conceito , não como algo meramente glorificado em canções e hinos, é  preciso que antes se leve em consideração alguns pontos essenciais: Mansidão é a força do equilíbrio interior. Equilíbrio interior que nasce quando estamos cônscios da essência da Vida e da nossa relação com o Universo.


Mansidão  é a constante vivificação  da não dualidade. Mansidão é a perfeita ausência  de luta, e ausência de luta é uma força muito poderosa. É uma força poderosa  que nasce da Unidade da Vida Universal com o Universo.


Na Mansidão  o amai os vossos inimigos torna-se um estado-de-ser. Diz respeito a uma antiga tradição que não tem por finalidade outra senão de conduzir o ser humano de volta a perfeição,  à totalidade e à unidade.


Todavia, o homem jamais aceitou a Mansidão como um modo de vida. Ele acha que Mansidão e Amar aos inimigos seja algo aplicável num convento, mas não na vida diária.  Quando se trata de relacionamento humano, o homem só conhece a luta da concorrência, da cobiça, da ambição, o desprezo e a inveja.


Por que isso ocorre? É porque os homens quando dizem "Eu te Amo", isso significa  simultaneamente: "Dá-me teu amor". Esse "amor" é um sentimento que exige algo de volta em troca daquilo que dá,  e nunca é isento de interesse próprio. Quando a nossa carência por amor não é satisfeita, surge a violência, a agressão e o ódio. O que chamamos de "amor", não é portanto um sentimento puro, mas uma emoção turva que facilmente pode converter-se no seu oposto e que está  muito voltado para si próprio.


Por isso a Mansidão não pode nascer desse amor, porque tudo que está dirigido para o ego exige alguma coisa em troca para si mesmo, exige algo de volta em troca do que deu.


Quando esse amor não recebe nenhuma recompensa; quando não recebe  nada em troca do que deu, ele fica decepcionado e espantado. Quando não é correspondido de modo espontâneo,  ele espera conseguir alguma coisa através da pressão, ou pela tensão, pela lei do mais forte, pela agressão, pela maldade, e assim por diante.  Chamamos de "bons" aos que amamos e que correspondem ao nosso amor; e rejeitamos, como não sendo bons, todos aqueles que não correspondem à altura do nosso amor. E assim, entre esses dois extremos, nós nos movimentamos. Estamos quase sempre emocionalmente agitados. A nossa consciência assemelha-se  a bruxuleante chama de uma vela que se encontra numa corrente de ar, e por isso mal consegue iluminar o ambiente ao seu redor.


A causa é estar-se voltado para o ego, para o eu, para a personalidade,  que se diferencia de todas as demais. O ser humano não está cônscio de que ele é mais do que isso. Ele se identifica com  o separatismo e a fragmentação. Identifica-se com o seu corpo, com os impulsos, os instintos ou com a mente, com o intelecto ou com as coisas ocultas e transcendentais.  Ele ficou obcecado por esses aspectos. E toda vez que o homem torna-se obcecado por alguma coisa, seja pelo poder, pela ciência ou pela tecnologia, seja pelo poder da ideologia ou do ocultismo, ele acaba perdendo o seu equilíbrio..


Estamos sempre fora do equilíbrio,  constantemente desequilibrados. Somos jogados, de um lado para o outro, do lado bom  para o lado menos bom, do desejável para o indesejável. Enquanto a consciência estiver presa ao ego que fragmenta, traça limites e julga segundo as próprias  fragmentações e delimitações, este estado não pode ser mudado. E assim não pode estabelecer-se nenhum equilíbrio interior e, por conseguinte também, nenhuma Mansidão.

 

Mansidão significa ter a coragem de não mais julgar e criticar; significa perdoar as culpas ao devedor e também amar os inimigos.  E tão logo se passa a amá-los, eles deixam de ser inimigos. A Mansidão jamais é egocêntrica. Aquele que é manso, nada força. Aquele que é manso, não impõe o poder, o poder autoritário,  porque ele é sem tensões, sem vingança, sem agressividade, sem maldade, pois a causa de toda imposição do poder, reside na limitação do eu. Quando o eu se apodera de alguma coisa, então certamente terá que defender a sua posse. E quando se é um eu, quando se possui uma personalidade, então se é o próprio poder dominador. O Manso não mais vive mediante o eu. O Manso encontra-se fora do egocentrismo.


É preciso que tenhamos a coragem de romper com os limites traçados  pelo nosso eu. E isso não é tão difícil como se pensa. Por acaso foi difícil nascermos? E aqui não se trata de outra coisa senão de um novo nascimento; do milagre do nascimento na Noite de Natal, do nascer-se mediante a luz, ou seja, do nascer mediante um novo discernimento em meio às trevas das limitações do nosso eu.


A Mansidão encontra-se fora da nossa consciência normal.


Quando a nossa verdadeira consciência se abre e nosso coração é tocado, ele se abre e passamos a enxergar o que jamais havíamos percebido antes. Veremos então, em primeiro lugar, a nós mesmos, a nossa própria realidade como de fato somos, e não a imagem que nós até então fazíamos de nós mesmos. Vemos também todo o amor egocêntrico, os sentimentos titubeantes, o acelerado giro de nossos pensamentos. Enfim, enxergamos tudo com muita clareza agora.


Um novo começo se faz presente.
   
Ao término deste texto queridos leitores, aproveito para desejar-lhes que o Verdadeiro Natal aconteça em vossos corações e que a Mansidão nele se instale para sempre.🌹

 

 

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